Olhar o passado. Entender o futuro
Em abril de 1964, no entanto, teve o mandato cassado. Acusação: quebra de decoro parlamentar. Motivo: não usar terno e gravata nas seções da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Na verdade, sua cassação foi encomendada pelo CENIMAR (Centro de Informações da Marinha) e Paulo Wright era sabedor do risco de vida que estava correndo. Exilou-se por um tempo e voltou para o Brasil na clandestinidade. Não abandonou sua missão, prosseguindo na atuação como dirigente da AP (Ação Popular). No dia 03 setembro de 1973, quando foi visto pela última vez, num trem em São Paulo. O que ocorreu deste dia em diante, ninguém explicou até hoje.
Além desse breve relato, sua história é tema de vários livros, um filme e um documentário, que será lançado nos próximos meses em Florianópolis. Porém, lamentavelmente, ele é ainda pouco lembrado nos capítulos da história de Santa Catarina.
Algumas pessoas que conviveram com Paulo Stuart Wright também fazem relatos muito interessantes da época, como dona Eliane Marinho, que foi sua secretária, ou o advogado Murilo Krüger, colega de militância pastoral.
Essas pessoas relatam principalmente o lado humano de Paulo Stuart Wright e, junto com o lado humano, a personalidade, o zelo pela ética e a moralidade pública, maior patrimônio de um cidadão, de uma cidadã.
Diante desse exemplo posso fazer reflexões ligadas ao momento que vivemos:
A história política brasileira é marcada por injustiças, nesse caso ser justo era considerado crime;
As verdades geralmente só aparecem muito tempo depois que as pessoas se vão;
Como acreditar nas instituições sem acreditar nas pessoas? E como acreditar nas pessoas quando estamos diante de versões completamente antagônicas?
Frente ao quadro de insegurança e à dúvida, olhar para trás, buscar bons exemplos, pode fazer a diferença. Pode nos fazer acreditar que nem tudo está perdido e que um dia haveremos de entender qual dos lados estava com a razão.
José Roberto Paludo, historiador e ex-Presidente do Instituto Paulo Stuart Wright