Projeto propõe revogação da cassação do mandato do deputado Paulo Stuart Wright

Postado em 6 de julho de 2023 por

Categoria: Notícias

Com a proposta de revogar a Resolução nº 85, de 11 de maio de 1964, que cassou o mandato do deputado Paulo Stuart Wright, o deputado Jailson Lima (PT) protocolou nesta quarta-feira (8), na Assembleia Legislativa, o Projeto de Resolução 8/2012. 


De acordo com o parlamentar, o objetivo da proposição é resgatar a dignidade de uma das vítimas da ditadura”. A matéria segue agora para apreciação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. 

Paulo Stuart Wright nasceu em 02/06/1933, em Herval do Oeste, na época distrito de Joaçaba (SC). Filho de Lathan Ephair Wright e Maggie Belle, missionários presbiterianos norte-americanos. 

O sociólogo destacou-se por participar da criação de diversos sindicatos em Joaçaba. Também ajudou a organizar cooperativas de pescadores do litoral catarinense em uma federação, a Fecopesca. 

Conforme dados da Coordenadoria de Informações da Assembleia Legislativa, exerceu os cargos de secretário regional da Unidade Cristã de Estudantes do Brasil (1960), secretário da Delegacia Regional da Fronteira Sudoeste, em Joaçaba, (1961), e diretor da Imprensa Oficial do Estado, em Florianópolis. 

Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, representou o Partido Social Progressista (PSP) durante a 5ª Legislatura, período que compreende os anos de 1963 e 1967. Seu mandato de deputado estadual foi cassado em 1964, ano do golpe de Estado no Brasil e do estabelecimento da ditadura militar no país (1964-1985). 

Com base em documentos históricos, Wright foi para o México e, depois de um ano retornou, ao Brasil. Ingressou no movimento Ação Popular (AL), onde atuou por oito anos na clandestinidade. Foi preso pelo II Exército, em São Paulo, em setembro de 1973, e levado ao DOI-CODI. 

Segundo informações divulgadas no sítio oficial do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, Paulo Stuart Wright “foi morto por torturas nas primeiras 48 horas do seu cativeiro. Até hoje não se sabe o que fizeram com seus restos mortais”. (Ludmilla Gadotti)

Assembleia sedia o lançamento de livro sobre Paulo Stuart Wright

Postado em 6 de julho de 2023 por

Categoria: Notícias

Juntamente com o ato solene para marcar a passagem dos 50 anos do golpe militar de 31 de março de 1964, foi lançado na noite desta terça-feira (1º), no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis, o livro “Notas de um desaparecido – Paulo Stuart Wright” e reeditada a exposição ”Dos filhos deste solo – vítimas da ditadura”. As iniciativas são do Instituto Paulo Stuart Wright (IPSW), com o apoio do Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Sindalesc) e da Comissão de Direitos  do Parlamento estadual.

Constituída por artigos de autores brasileiros e estrangeiros, a publicação procura reconstruir a época e a conjuntura política e social brasileira no momento da cassação de Paulo Stuart Wright, afirmou seu organizador, Iur Gomez. “A obra procura ser fiel aos fatos relacionados a um período que vai da militância política de Paulo até sua cassação como deputado estadual e as circunstâncias que envolveram seu desaparecimento”, afirmou.

A presidente do IPSW, Regina Mauro Soares, destacou que a perda do mandato de Paulo Stuart Wright sob a alegação de falta de decoro parlamentar por não usar gravata é considerado um caso único no país e deve ser divulgado. “Esse fato traz repercussões até hoje para a sociedade catarinense e não podemos deixá-lo cair no esquecimento. Caso fosse vivo ele estaria escrevendo esse livro e não nós”, disse.

Para a deputada Luciane Carminatti (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos, o livro tem a missão de lembrar a memória do antigo líder e de muitos outros que perderam a vida por sua mobilização política. “Precisamos enaltecer a luta pela igualdade e a liberdade de expressão. Queremos um Brasil livre e democrático, um país de oportunidades”, frisou.

Projeto revela novos detalhes da ditadura, como prisão e morte de Paulo Stuart Wright

Postado em 5 de julho de 2023 por

Categoria: Artigos

Acervo Ditadura reúne material do coletivo Memória, Verdade e Justiça sob cuidados do Instituto de Documentação e Investigação em Ciências Humanas da Faed/Udesc


PAULO CLÓVIS SCHMITZ, FLORIANÓPOLIS
08/07/2017 13H55 – ATUALIZADO EM 07/07/2017 ÀS 21H41

Ela estava em estado tão deplorável na cela que um médico, discretamente, deixou uma cartela com 24 comprimidos para que se matasse e encurtasse aquela agonia. Apanhara muito, entrara e saíra do coma, mas queria viver – era muito jovem e ousada para se entregar, mesmo abaixo de tortura. Esta passagem, registrada em entrevista a “O Estado” em 1979, quando da volta a Santa Catarina, pode explicar a obstinação de Derlei Catarina de Luca, professora por formação, militante de causas humanísticas por vocação, para descobrir o que for possível sobre os crimes da ditadura no Brasil. O depoimento ao jornal faz parte de um amplo material doado no final de junho pelo coletivo Memória, Verdade e Justiça ao IDCH (Instituto de Documentação e Investigação em Ciências Humanas), vinculado à Faed/Udesc, em Florianópolis.
Stuart Wright ajudou Derlei a fugir do país, quando estava asilada no Chile: “devo minha vida a ele” – Marco Santiago/ND

O Acervo da Ditadura – nome geral do projeto – está disponível para consulta, porém ao primeiro contato sobrevém a vontade de espalhar o seu conteúdo (de resto, já tornado público) como forma de denúncia e de conscientização de quem não viveu os anos de chumbo e defende a volta dos militares ao poder. Não há regimes totalitários imunes à condenação histórica por seus atos, mas no caso brasileiro existem detalhes e peculiaridades que justificam a teimosia dos detratores em ir a fundo, tentar descobrir onde estão os torturadores remanescentes e desenterrar os ossos de quem desapareceu sem deixaram vestígios.

“No caso do ex-deputado Paulo Stuart Wright, descobrimos quem prendeu, quem matou e quem deu fim ao corpo”, diz Derlei de Luca, satisfeita com os resultados de seu trabalho e o de muitas outras pessoas movidas pelo mesmo objetivo. Pelas evidências do caso, ela constatou que o responsável pela morte de Wright foi o major Ubirajara Brandt Rodrigues, do Centro de Informações do Exército. Ele dirigiu toda a operação que começou com a prisão do deputado, num trem do subúrbio de São Paulo, em 1º de setembro de 1973, e terminou na “desova” num rio de Itapevi, a 30 quilômetros da capital paulista. Derlei fechou o quebra-cabeças em 2015 e só agora revela a informação a um órgão de imprensa.

Segundo o jornalista Marcelo Godoy, no livro “A casa da vovó” – que traz o depoimento de vários torturadores – quem cuidava dos interrogatórios e, posteriormente, dos assassinatos na Boate Querosene, centro clandestino de repressão em Itapevi, eram o capitão Enio Pimentel da Silva, o capitão Freddie Perdigão Pereira, o sargento Roberto Artoni, o sargento João de Sá Cavalcanti Netto, o capitão André Leite Pereira Filho.

    “Poderia ter uma vida simples, como professora, mas não era esse o meu destino. Acho que faria tudo de novo.”

Derlei de Luca

 
A farsa desvendada

Há 40 anos desencavando informações, consultando arquivos e indo atrás de jornalistas e de familiares de presos, torturados e desaparecidos, Derlei soube que muitas vítimas da ditadura foram mortas na Boate Querosene, perto de um rio onde os corpos eram atirados, quase sempre desmembrados. No livro “A casa da vovó”, de Marcelo Godoy, o major Ubirajara Brandt admite ter desaparecido com o corpo de três opositores do regime – e Paulo Wright era um deles. Também havia uma usina de açúcar em Cambahyba, no município de Campos, no Rio de Janeiro, onde os mortos eram incinerados. Ali, em 1973, morreu outro catarinense, João Batista Rita, 25 anos, nascido em Braço do Norte. “Nesses casos, não há chance sequer de encontrar as cinzas”, lamenta a professora aposentada, comparando a prática às da Alemanha nazista.

A solução para o caso do primeiro prefeito de Balneário Camboriú, Higino João Pio, assassinado na Escola de Aprendizes de Marinheiros, em Florianópolis, em 3 de março de 1969, foi outra vitória do coletivo. Após anos tendo que engolir a versão mentirosa de suicídio, a família foi informada de que Pio foi morto na cela por motivos torpes, ligados a quizilas políticas em sua região e no Estado. O sonho de Derlei, do coletivo e de todos os que desejam ver a justiça prevalecer é que o Ministério Público Federal peça a prisão dos executores e torturadores do período ditatorial que ainda estão vivos.

 
De professora primária a militante

O destino da jovem Derlei de Luca destoou da maioria, mas se aproximou, em termos de escolhas, de muitas trajetórias que foram tolhidas pela ditadura. Nascida em Içara, onde havia uma grande mina de carvão, ela estudou em Criciúma, cidade de forte tradição trabalhista. A família era politizada e, como professora primária, Derlei conheceu muitos alunos cujos pais foram presos após o golpe de 1964. Quando estudante, chegou a ir a um comício de João Goulart, o Jango, presidente que viria a ser deposto quando tentava implementar reformas de base. Como o mundo era pequeno ali, ela veio para Florianópolis em 1966 e cursou Pedagogia. Encontrou os diretórios acadêmicos fechados na universidade, e a primeira luta veio daí, a ponto de fazer parte do DCE, já reaberto, no ano seguinte.

Uma denúncia de corrupção na reitoria da UFSC, a repressão aos movimentos estudantis, os “congressinhos” que prepararam na surdina o grande encontro de Ibiúna, em São Paulo – tudo isso foi importante, mas ficou para trás quando ela passou a trabalhar numa fábrica de tecidos em Curitiba para aprender a lidar com a classe operária. Paulo Stuart Wright fez o mesmo quando trocou a chance de uma carreira acadêmica pela função de ajudante de torneio mecânico. Era a oportunidade de estar perto dos trabalhadores, uma obsessão para os militantes e intelectuais de esquerda naqueles anos.

Do Paraná para São Paulo foi um pulo. Só que ali, quase por acaso, foi presa pela Operação Bandeirantes porque carregava algumas publicações com conteúdo contra o regime. Confundida com outra jovem procurada pelos militares, Derlei sofreu nas mãos dos torturadores, teve uma vértebra e alguns dentes quebrados. Ficou presa durante mais de dois meses e chegou a entrar em coma, mas quando viram o erro – apesar das revistas e da passagem por Ibiúna – não tiveram coragem de devolvê-la à família, pela precária situação de saúde em que se encontrava. Foi aí que surgiu o médico com os comprimidos.

Recuperada, Derlei voltou para Santa Catarina, andou pela Bahia e Ceará, até se refugiar em Londrina (PR), cidade que considerou mais tranquila para ter o filho José Paulo. Quando o menino fez três meses, pediu a um hospital local para entregá-lo à sua mãe, em Içara, e tratou de sair do Brasil. Dois anos e meio depois, já em Cuba, depois de andar pela Argentina e pelo Chile (chegou lá no momento da deposição do presidente Salvador Allende), passou a criar o filho por conta própria. Soube da morte de Paulo Stuart Wright – espécie de guru de sua geração que a ajudou a fugir do país – quando estava asilada na embaixada do Panamá em Santiago. “Devo minha vida a ele”, declara.

Falando de tudo o que passou, Derlei diz não se arrepender de nada. “Poderia ter uma vida simples, como professora, mas não era esse o meu destino”, afirma. “Acho que faria tudo de novo”.

Onde eram mortos os ‘chineses’

Os relatos de Derlei de Luca sobre a prisão em São Paulo, entre 1969 e 1970, as torturas que lhe foram impostas e a luta de quatro décadas para localizar os corpos dos mortos e desaparecidos só são menos candentes que sua luta por identificar os responsáveis pela repressão, sobretudo nos anos do governo Médici (1969-1974). Ela foi militante da AP (Ação Popular), o mais forte movimento de oposição à ditadura, que teve em Paulo Stuart Wright um grande expoente. Na cadeia, foi submetida ao “pau de arara”, palmatória e choques dados pelo investigador da polícia civil Walter Lang, que ela redescobriu há pouco tempo pesquisando no Google.

O desaparecimento de Paulo Wright, a quem conheceu quando tinha 14 anos, foi um tema a que se dedicou desde o final da década de 70. A primeira vez que a repressão reconheceu a morte do ex-deputado catarinense foi no livro “A casa da vovó”, de Marcelo Godoy, onde há menções aos codinomes Agente Alemão (Walter Lang) e Agente Neusa (Beatriz Martins) como participantes da operação de ocultação do corpo de Wright. O centro de repressão clandestino chamado de Boate Querosene, na Grande São Paulo, eram para onde iam os presos que tinham estado na China – caso de Wright, listado entre os “chineses” porque havia visitado o país oriental em razão de sua militância.

O agente Alemão fazia parte da equipe Curia, do DOI-Codi paulista, que seguiu e prendeu Paulo Wright no trem e foi quem, muitos anos antes, girara a máquina de choques nas torturas a Derlei na prisão. Quem controlava a Boate Querosene era o major Ubirajara Brandt Rodrigues, conhecido então como Doutor César. Ele também cooptou alguns “cachorros” (traidores) da Ação Popular na tentativa de liquidar esse movimento de luta contra o regime vigente. 

Fonte: Notícias do Dia, 08/07/2017

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Deputado Gilmar Knaesel fala sobre a mudança de nome para a rodovia Paulo Stuart Wright

Postado em 4 de julho de 2023 por

Categoria: Notícias

Em mais um pronunciamento, deputado Gilmar Knaesel esclarece o projeto de lei que denominaria rodovia  Paulo Stuart Wright para Rodovia Francisco Leopoldo Fleith, Segundo o Deputado Knaesel,  não se trata de mais um golpe contra o deputado Paulo Stuart Wright.  

Abaixo, o texto da jornalista Luana Schmitt,  falando sobre o pronunciamento. 

“Espero que a verdade seja respeitada”, afirmou o deputado Gilmar Knaesel (PSDB) na manhã de hoje (9), esclarecendo mais uma vez a polêmica em torno do Projeto de Lei, vetado pelo Governador do Estado no início desta semana, que daria nome de Franscisco Leopoldo Fleith à rodovia hoje denominada Paulo Stuart Wright. 

O deputado disse que ficou surpreso com o tipo de abordagem do assunto pela mídia. “Estou consciente e muito tranqüilo com o projeto que apresentamos. Não quis de maneira nenhuma praticar um “golpe” ou mais uma “cassação” contra Stuart, como falam. Estão querendo atingir minha imagem pública, mas essa não é uma questão politiqueira, é um assunto sério”, declarou. 

Knaesel recebeu o apoio do deputado Volnei Morastoni (PT), durante seu pronunciamento. “Sabemos que não há maldade na sua atitude e quero dizer que também fui surpreendido com essa conflitante repercussão. Sabemos que você, assim como nós, quer ver o nome de Paulo Stuart ser colocado numa posição ainda mais alta”, disse. 

Knaesel agradeceu a manifestação do parlamentar. “Seu reconhecimento é um grande alívio e espero que a verdade seja mantida. Também quero o nome de Paulo Stuart gravado na história do Estado como tantos outros o desejam, com denominação de obra pública representativa”, analisou. 

O deputado justificou que o projeto teve o apoio unânime das Câmaras de Vereadores de Penha e Piçarras que desejavam que o caminho de três quilômetros entre a BR 101 e Penha tivesse uma homenagem mais regionalizada, que levasse o nome de uma pessoa ligada à comunidade, já que trata-se de um simples acesso e não uma rodovia estadual. 

Luana Schmitt